Compra de produtos com marcas próprias pode auxiliar as grandes redes de supermercados a realizar a logística reversa.

Compra de produtos com marcas próprias pode auxiliar as grandes redes de supermercados a realizar a logística reversa.

O impulso de compra de produtos com marcas próprias – geralmente bem mais baratos do que os de marcas famosas – deve se mostrar como uma saída a ser utilizada por empresas do setor varejista, tanto para incrementar o faturamento, como para tentar resolver certas questões como a aproximação do consumidor à marca e a diminuição da dependência de produtos importados. Desta maneira, deve ajudar, aliás, a questão da logística reversa – a ser analisada em 2014 -, com a nova Lei dos Resíduos, que deverá entrar em vigor, mas ainda causa desconforto entre as empresas por falta de regras claras.

A perspectiva é de que várias categorias tenham, nos próximos anos, um leque grande de marcas próprias disputando as gôndolas. Desta maneira, a dependência dos produtos importados poderá ser menor e, assim que for aprovada a norma para a logística reversa de resíduos, uma das maiores preocupações do varejo – o que fazer com os itens importados – possa ser até algo minimizado. Isso, claro, se houver realmente a ampliação de itens marca própria nas lojas. Afinal, esses produtos são produzidos por fornecedores locais, e a divisão da responsabilidade do descarte correto desses produtos poderia mesmo ficar mais prática, pois caberá ao comércio receber, em postos de coleta, as embalagens e demais produtos usados descartados pelos clientes. A indústria fará a separação dos materiais retornados para encaminhá-los à reciclagem ou aterros sanitários, dependendo da natureza do “lixo”.

Responsável por fornecer cookies e biscoitos a players como as redes Dia e Pão de Açúcar, a Dauper registra crescimento médio de 35% ao ano e, segundo o diretor Comercial da empresa, Raul Matos, o uso das marcas próprias pode contribuir ainda mais com o setor varejista e proporcionar menor dependência aos bens de consumo estrangeiros. “A marca própria pode ajudar no sentido de suprir a inovação, que as empresas buscavam antes com os importados”, comentou ele.

Com os negócios aquecidos, a previsão é da Dauper crescer 30% em 2013, com novos produtos e expansão da rede própria de lojas. Para o executivo da marca, o papel do segmento tem mudado no Brasil. “O desenvolvimento da marca própria hoje no Brasil já segue um pouco a Europa, onde os varejistas lançam tendências. Aqui, eles pegavam o que já existia, descobriam qual o preço, a embalagem e não queriam nada diferente, só ofereciam uma redução de uns 20% no preço.”

Matos ainda argumenta que produtos com o nome do supermercado ou lojas podem auxiliar até na negociação com marcas nacionais. “Lançamos o cookie Dia com 30% de chocolate premium, que já vende mais do que qualquer outro produto na loja. Quando uma empresa tem um produto forte, com a marca dela, ele fica menos dependente de líder, como Unilever ou Kraft, no nosso caso.”

A empresa gaúcha tem fábrica em Gramado (RS) e acumula 25 anos de expertise como fornecedora de biscoitos e mix de cereais. Hoje começa uma rede de lojas próprias e pretende abrir a segunda biscoiteria em São Paulo.

Alcance

O crescimento das marcas próprias no Brasil também se evidencia no tipo de cliente que consome os produtos. Estudo da empresa Kantar Worldpanel, diz que as classes A e B são atualmente as maiores consumidoras desses itens: cerca de 60% das famílias nessa faixa econômica adquiriram algum item com marcas próprias. A classe C registrou 52%, enquanto D e E registraram 49%. Mas a participação da classe média deve aumentar nesse quesito. Em entrevista ao DCI, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Galassi, afirmou ontem, durante a feira Apas 2013, que as marcas próprias permitem maior fidelidade deste tipo de clientes a determinada rede varejista. “Quando se coloca um produto com marca própria, a confiança da classe C naquele mercado ou naquela empresa aumenta. Tem um peso maior, principalmente para essa faixa de consumidores”, apontou.

Outro ponto no mercado é que segundo dados apresentados ontem pela Nielsen, o faturamento das marcas próprias atingiu no ano passado cerca de R$ 2,8 bilhões, ou seja, um aumento de 56% em relação ao ano de 2008. A pesquisa mostra ainda que o segmento ainda não está consolidado no País, quando comparado a outros mercados como o europeu. Logo, abre-se um grande leque de oportunidades para as empresas do comércio varejista.

Nas redes Extra e Pão de Açúcar, por exemplo, esses artigos foram inseridos em 2006 e hoje se dividem em quatro marcas diferentes: Taeq, Qualitá, Club des Sommeliers, e Casino. A Taeq é composta por produtos saudáveis; já a linha Qualitá é de itens de primeira necessidade ou de cesta básica, além de artigos para limpeza e higiene pessoal. A produção desses artigos é feita por mais de 500 fornecedores.

Por: Igor Utsumi
Fonte: DCI – Diário do Comércio, Indústria e Serviços

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